sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O sonho vívido

Eu sei que isso está aqui em algum lugar. Eu posso sentir. Não é imaginação minha, nem muito menos loucura da minha cabeça. Não! Eu não sou um adolescente paranóico. Eu estou falando a verdade! Essa coisa está por aqui e eu posso senti-la. Ela estava aqui bem perto alguns momentos atrás. Você não deve estar acreditando em mim, mas tudo bem. Eu vou contar a história do começo. Talvez assim você entenda.

Eu estava dormindo alguns momentos atrás. Eu estava sonhando que havia acabado de chegar em casa de um programa com os amigos. Tinhamos saído não lembro bem para onde, mas eu sei que estava chegando em casa e estava feliz. Algo me dizia no sonho que eu estava feliz. Eu abria o portão de casa e notava algo estranho: a porta de entrada da minha casa estava aberta e apenas duas luzes da casa estavam acesas. Achei aquilo estranho, mas como minha mãe sempre foi paranóica com relação ao uso de energia elétrica, pensei que fosse mais uma tentativa dela de economizar.

Caminhei em direção à varanda da casa e tudo estava silencioso. Apenas a luz da primeira sala e a luz da cozinha estavam acesas. Eu conseguia ver isso através da porta entreaberta. Empurrei a porta e não vi nenhum sinal de vida na minha casa. Foi quando eu percebi que tudo estava revirado na sala de jantar: eram cadeiras reviradas, a mesa de jantar tombada no chão, cacos de vidro do jarro que estava em cima da mesa, além dos quadros todos destruídos e jogados ao chão.

Nesse momento um arrepio tocou minha espinha e eu tremi da cabeça aos pés. Algo estava errado ali. Tremendo, dei mais um passo em direção à cozinha. À primeira vista estava tudo bem. Nada parecia estar fora do lugar, exceto os utensílios de cozinha que estavam revirados na pia. Com medo, tentei chamar pela minha mãe, ou pelo meu irmão mais velho, mas ninguém parecia responder. Você poderia se perguntar o porque de eu não ter chamado meu pai. Ele faleceu alguns anos atrás. Fora assassinado na saída da loja de presentes da nossa família.

Voltando ao sonho, eu fui até a gaveta onde estavam as facas de cozinha e peguei a mais afiada que encontrei pela frente. Caminhei devagar até o quarto da minha mãe e tentei acender a luz, mas não surtiu efeito. Era como se aquela parte da casa estivesse sem energia elétrica. Como eu sei? O rádio relógio estava apagado, mas eu tinha certeza de que estava ligado na tomada, porque eu conseguia ver isso. Foi então quando eu ouvi um barulho e olhei para perto da janela. Havia uma figura escura, alta e esguia. Não consegui diferenciar se era homem ou mulher. A figura era apenas uma sombra negra, parada no canto do quarto. Achei que fosse a sombra de algum objeto se projetando no canto do quarto, mas mesmo assim tentei fazer contato e perguntei "Tem alguém aí?".



Para o meu horror, a figura abriu um sorriso cheio de dentes e presas e dois olhos flamejantes se abriram em algo que eu julguei ser seu rosto. Não tive tempo de pensar. Apenas agi. Corri desesperadamente em direção ao meu quarto e tranquei mais do que rapidamente a porta. Como uma criança, corri para debaixo da cama e tentei me esconder, enquanto a figura batia e arranhava incansavelmente na minha porta tentando entrar, emitindo um grito horrível que me fazia querer morrer. Chorando, eu comecei a rezar toda e qualquer reza que eu sabia e pedia com todas as forças para acordar daquele pesadelo. Foi nesse momento que eu acordei.

Despertei na minha cama e juro que podia ouvir alguma movimentação do lado de fora do quarto, mas achei que era bobagem. Havia acabado de sonhar com um monstro que matou minha família. Devia ser isso. Agora contando a vocês tudo parece que foi apenas um sonho. Fui então ao banheiro. Levantei da cama e destranquei a porta do quarto e para minha surpresa ela estava completamente arranhada e coberta de manchas de sangue.

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